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A tecnologia sumiu

A melhor solução de tecnologia é aquela que se torna invisível quando a utilizamos.


Quando olhamos para uma bela obra de arte, o que vemos reflete uma mistura entre a nossa experiência de vida e os valores que carregamos. A não ser que você seja um especialista na área, a técnica utilizada e os materiais empregados ficam quase sempre em segundo plano. Este fenômeno manifesta simultaneamente a complexidade e o vazio da criatividade humana e de como é possível transformar a vida das pessoas através da união de elementos que, sem a nossa imaginação, não possuem significado inerente. O que seria uma pintura em um quadro, que não somente partículas de tinta, madeira e papel? O que haveria de especial entre estes elementos se todos são compostos de átomos que não podemos visualizar a olho nu?

De acordo com o observador trata-se de uma escultura romana.

O Paradoxo do Observador


No caso da obra de arte ou mesmo da pintura em um quadro existe um paradoxo. A obra não existe sem o observador, mas o observador não existe sem a obra. Sem a luminosidade da mente do observador, não há o que observar, pois a obra é vazia por si só de conteúdo. Ela depende inteiramente do ponto de vista do observador para existir. Ao mesmo tempo, se a obra não existir, a figura do observador passa a não fazer mais sentido. Se analisarmos mais a fundo, poderemos concluir que nem observador e nem obra de fato existem isoladamente.


Com isto podemos concluir que quando qualquer coisa criada pelo homem é percebida como não existente, estamos mais próximos da realidade e, portante de atingir o estado da arte da tecnologia.


A Computação Onipresente


Enquanto a realidade virtual nos leva para dentro de um mundo criado por um computador, a computação ubíqua visa obrigar a tecnologia a se integrar no nosso mundo. Um ótimo exemplo de solução que atende a este critério é a energia elétrica, pois está amplamente disponível, não requer a nossa atenção para ser utilizada e entrega o que promete com alta confiabilidade.



Mark Weiser (1952-1999) foi o pai da computação ubíqua. Créditos: Wikimedia

A Tecnologia Calma


A tecnologia calma é a área do design que se preocupa em desenvolver soluções que não necessitam da atenção do usuário para serem utilizadas, fazendo uso da visão periférica dos mesmos. Por exemplo, ao dirigir um carro, utilizamos a nossa visão periférica para acompanhar informações sobre velocidade, consumo de combustível entre outras informações, mas mantemos o nosso foco na rua ou estrada à nossa frente.


O Estado da Arte das Soluções de Tecnologia


Com esses conceitos apresentados podemos definir alguns critérios para o que seria o estado da arte de uma solução de tecnologia:


- Atender a todos os princípios da tecnologia calma.

- Ser acessível, inclusiva e socialmente responsável.

- Requerer configuração inicial e manutenção por um tempo insignificante se comparado ao tempo de uso da mesma.

- Ter impactos ambientais mensuráveis e mitigados.

- Ser transparente com relação ao uso dos dados dos usuários.


Existe uma tendência crescente no limiar da próxima década (2021) de voltarmos a ter uma posição humanista com relação à tecnologia, relegando o papel de protagonista que esta última tem tido nas últimas décadas. Isto representará o início da revolução pós-digital, onde a informação deixará de ser o bem mais importante, e a atenção das pessoas e o seu nível de autoconsciência passará a ser o bem mais valioso.


Um exemplo de um produto ligado a esta nova era é o Mudita Pure, um projeto minimalista de smartphone que está nas fases finais de desenvolvimento pela empresa Polonesa Mudita e possui data estimada de lançamento para o primeiro semestre deste ano.